Eleição inédita na Fecomércio

Divulgação: Jornal O Tempo – 31/03/18 – Ludmila Pizarro

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), terá eleições para a troca de diretoria em 2018, após cerca de 80 anos de chapa única. A entidade reúne os sistemas Sesc e Senac e administra um orçamento anual que varia entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões.

A votação será no dia 16 de maio. A chapa Íntegra, da situação, é encabeçada pelo presidente da entidade, Lázaro Gonzaga. O presidente do Sindilojas-BH, Nadim Donato, encabeça a chapa de oposição Renova, ao lado de Emerson Beloti, presidente do Sindicomércio de Juiz de Fora. “(A chapa) foi construída com o passar dos anos, na medida em que fomos vendo as coisas acontecerem de forma errada na Fecomércio”, declara Donato. Segundo ele, havia um compromisso da atual gestão de se manter por apenas dois mandatos, período que se completa neste ano. “Quando ele se elegeu na primeira vez, prometeu mudar o estatuto e fazer eleição e reeleição, e não fez”, diz Donato.

Já o atual presidente declara que a informação de que não há renovação na entidade não procede. “A direção foi renovada em 2010, quando a chapa do atual presidente foi eleita”, afirma Gonzaga. “Questões de mudança de mandato levantadas pela chapa Renova têm que ser discutidas em todo o sistema sindical, sendo necessário que todos os sindicatos também promovam a renovação das suas diretorias”, acrescenta.

Outra reivindicação da oposição é mais transparência na conta das entidades. No mês de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve um processo de tomada especial de contas instaurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), para investigar denúncias de irregularidades no âmbito das administrações regionais do Sesc e do Senac. Gonzaga, porém, afirma que não há problemas de transparência. “Todo o orçamento e a prestação de contas da Federação são realizados nos termos do estatuto da entidade, com participação e votação de todos os sindicatos filiados”, informa.

MINIENTREVISTA

Nadim Donato
Candidato da oposição

Por que surgiu a necessidade de lançar uma chapa de oposição?

A gente vem há quatro anos, desde o segundo mandato do Lázaro, tentando mudar algumas coisas na federação. Coisas como transparência, depois que sucederam vários acontecimentos internos. E não conseguimos. Quando ele se elegeu pela primeira vez, prometeu mudar o estatuto e fazer eleição e reeleição e não fez. Se passaram oito anos, e entendíamos que ele sairia e viria outra pessoa. A gente imagina fazer eleição e reeleição, ter uma entidade transparente, fazer uma gestão melhor. Não conseguimos e achamos melhor fazer uma chapa para concorrer, coisa natural e democrática. Meu nome apareceu há pouco tempo, não foi uma coisa que eu decidi. Até surgiram outros nomes, mas, no final, convergiu para o meu e aceitei o desafio. Acho que o trabalho que fiz no Sindilojas me credencia.

E quais as propostas?

Internamente, a gente precisa ter uma gestão mais cautelosa, os recursos têm que ser focados na categoria. Além de um cuidado com um dinheiro que não é seu, que é do empresário, e deve ser voltado para ele, com muita transparência. A questão externa, a prioridade é que os governos entendam o (nosso) peso. Somos os maiores empregadores e os maiores distribuidores de renda no país. E Minas não é diferente. Não temos expressão por falta de representatividade. Não é culpa de ninguém, é nossa mesmo. Entendemos que precisamos ser ouvidos.

Lázaro Gonzaga
Candidato da situação

Quais as propostas para o próximo mandato, em caso de reeleição?

Assumimos a gestão do Fecomércio-MG em 2010, com a missão de representar mais de 700 mil estabelecimentos no Estado. Além de desenvolver as empresas e a economia, propomos aprimorar os serviços voltados para o bem-estar do comerciário e contribuir para sociedade por meio da educação profissional. Nossa gestão é pautada por três pilares: a integração entre as instituições do sistema e seus colaboradores; a interiorização das atividades; e a internacionalização, para assimilarmos as melhores práticas mundiais. Trabalharemos ainda mais para o fortalecimento dos sindicatos, lembrando que conseguimos a filiação de novos. Vislumbrando o futuro, temos compromisso com a inovação para o comércio, ajudando-o a se reinventar por meio das novas tecnologias e startups.

Como responde os argumentos da oposição de que falta transparência na entidade e renovação na presidência?

A informação de que há 80 anos não há renovação não procede. A direção foi renovada em 2010, quando a chapa atual foi eleita. Em relação à transparência, todo o orçamento e a prestação de contas são realizados nos termos do estatuto da entidade, com participação e votação dos sindicatos filiados. A federação tem uma diretoria colegiada que se reúne mensalmente para discutir o plano administrativo e político estratégico.

 

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